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Maos que ensinam

De bem com a vida e animados, futuros professores lutam pelos direitos dos que são surdos como eles.


TV Escola - o canal da educação Taguatinga - Brasília, -1/02/2002





Rosangela Guerra

A história de muitos deles é parecida. Nasceram surdos e cresceram isolados, sem ser convidados para os jogos e brincadeiras. Não decifravam nos livros as aventuras de reis, princesas e bruxas, nem na têve as façanhas dos super-heróis – histórias jamais ouvidas. Em seu mundo à parte, muitas vezes não entendiam os motivos da alegria ou da tristeza estampadas nos rostos a seu redor. Jorge Soares, 24 anos, Messias Costa, 22 anos e André Yammine, 21 anos, surdos em nível profundo, deram a volta por cima e usam a experiência pessoal como instrumento de luta pelos direitos dos que são como eles. Bem-humorados e animados, recusam o termo deficiente. Dizem que a pessoa surda se torna deficiente quando lhe é negada a língua, a cultura e os direitos de cidadã. Os surdos, diz Messias, são estrangeiros em seu próprio país. Os três são alunos do curso de magistério de nível médio Surdo Educador, que funciona na Escola Normal de Taguatinga, no DF, desde 1994. Com duração de cinco anos, o curso é bilíngüe: em português e em libras (Língua Brasileira de Sinais). Seu desafio é experimentar novas metodologias e desenvolver materiais didáticos específicos para os surdos. Os estudantes preparam, por exemplo, álbuns com desenhos e textos bilíngües (em português e na forma escrita da língua de sinais), narrando contos de fada. Ouvintes e surdos, da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, adoram ver Jorge contar histórias infantis em libras. Ativos participantes da AJA (Associação do Jovem Aprendiz) -http://www.aja.org.br/surdos, organização não-governamental que atua na área dos direitos humanos, Jorge, André e Messias não querem o assistencialismo nem o paternalismo. Reivindicam o direito de estudar, de escolher sua profissão, e também de contar com o apoio do poder público. Uma das propostas da AJA é que bombeiros e policiais aprenderam a Língua Brasileira de Sinas. Nos fins de semana, eles fazem campanha para a prevenção da aids, distribuindo nas ruas folhetos bilíngües. Além de todas essas atividades, eles participam, com outros colegas da escola, do projeto Copisurdos, desenvolvido no programa Sua Escola a 2000 por hora, do Instituto Ayrton Senna. O copisurdos utiliza o computador como instrumento para a cnstrução de conhecimentos dos surdos. Uma de suas metas é a criação de uma comunidade virtual para a troca de idéias e experiências sobre inclusão e educação de surdos.

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