MESSIAS, um exemplo verdadeiro de

SUPERAÇÃO

Cinthya Peixoto Valadares

Professora

Brasília-DF, 18 de maio de 2014

 

Tive a grata satisfação de trabalhar com este grande e excelente profissional, Messias,  na escola classe 01 de Brazlândia.

Na época, eu me encontrava na direção desta Unidade de Ensino,  atendíamos classes especiais de surdos, bem como classes inclusivas.

O ganho que a escola teve como um todo, com a presença de um professor surdo, como o Messias, foi grandioso. Nunca havíamos contado com um apoio surdo na Unidade de Ensino.

O Trabalho deste profissional trouxe ganhos imensuráveis à nossa escola e nos fez refletir sobre a verdadeira inclusão, a necessidade de uma escola bilíngue, nos ajudou na capacitação dos funcionários da U.E, e também das famílias dos alunos surdos.

Na época ele desenvolveu um trabalho com toda a escola no Projeto Tom do Pantanal e ganhou um prêmio pelo belíssimo trabalho. Muito nos orgulhamos em ter tido a oportunidade de conhece-lo e tê-lo em nosso convívio.

Ele foi um exemplo a esses alunos que por muitas vezes não se dão o devido valor, por não conhecerem outros surdos que cresceram, lutaram e mostraram sua capacidade impar como faz o Messias.

Já há vários anos nossa escola não conta mais com um profissional surdo, e sentimos o quanto se perde sem a presença deste nas escolas que trabalham com alunos surdos. A perda não é só para os alunos, mas para toda a escola.

 

Abraços,

Cinthya Peixoto Valadares

Cláudio Henrique Zafred

Professor de Educação Física

"Conheci o Messias como meu aluno de natação entre 1996 e 1999 e observei nele uma grande habilidade para a natação, principalmente o nado crawl. Messias tinha uma excelente flutuabilidade e muita explosão muscular, o que o tornava muito rápido. Desenvolvemos uma técnica de comunicação para superarmos a barreira da fala, ele dominava a leitura labial e eu falava devagar e de frente para ele. Nas competições encontramos uma solução para a largada: ele ficava no bloco de partida e eu o tocava nas costas ao apito do juiz de largada, ele sempre competiu com pessoas ditas "normais" e venceu 90% destas competições, um índice espantoso para os parâmetros da época. Todos queriam conhecer e ver o rapaz surdo que nadava mais rápido do que qualquer outro jovem nadador, mas como todo e qualquer jovem atleta brasileiro ele esbarrou na implacável e temerosa barreira dos 18 anos comumente com o final do ensino médio: continuar no esporte sem apoio e ajuda nenhuma do governo e empresas ou ingressar na faculdade. Assim ele deixou a vida esportiva para se tornar o protagonista e engenheiro de uma revolução no processo de ensino brasileiro, formando-se com louvor e concluindo um mestrado na 4ª melhor universidade do país, buscando seus direitos e mostrando novos caminhos para os surdos no cenário educacional. Não preciso nem dizer o quanto seu caminho me enche de orgulho e satisfação, pois sei que ele só está dando os primeiros passos de uma gigantesca maratona de transformação para um novo tempo."

Maria do Socorro Silva

Professora

"Maria do Socorro Silva Professora Fui professora na Escola Normal de Taguatinga e um dia chegou um aluno, vindo de uma escola de Ceilândia-DF. Era um rapaz, tímido, acompanhado sempre pela mãe dedicada e cuidadosa, pois seu filho era um surdo e não tinha muita independência e nem tão pouco sabia a LÍBRAS - Língua Brasileira de Sinais. Para espanto meu e das colegas professoras do Projeto SURDO EDUCADOR da ENT, esse aluno, cada dia foi desenvolvendo-se mais e mais, demonstrando ser possuidor de uma inteligência rara e com muita dedicação, pois seu sonho era de ser professor. Com o tempo ganhamos o concurso do Instituto Aryton Senna - Sua Escola a 2000 por HORA, onde os alunos surdos, puderam muito aprender, tudo em turno da informática e suas ferramentas tão importantes para a educação. Com isso esse jovem surdo, o MESSIAS, explodiu em torno do aprendizado e no mundo das idéias. Cada dia ele criava algo novo, para ajudar seus alunos nos estágio e também ensinava os colegas e nós professores. Fui professora dele, mas como mestre, pude mais aprender, do que ensinar e ser empolgada por seu entusiamos e sua vontade de muito aprender e ser vitorioso. Sou orgulhosa por fazer parte do crescimento intelectual do MESSIAS, mas sei que fiz muito pouco, pois ele já nasceu PRONTO... para mostrar ao mundo e a todos nós que o cercar que ele é um VITORIOSO!!!! Continue Messias sem medo, mas com vontade de crescer e de mostrar Ao mundo, que as dificuldades da SURDEZ, não o impede de mostrar o quanto és CAPAZ!!!"

Ney Henrique Mourão

Jornalista

"Ney Henrique Mourão Maia Jornalista, poeta, especialista em EaD e consultor em educação e comunicação corporativa Conheci Messias Ramos ainda como um jovem estudante do Ensino Médio. Ali, ele já demostrava toda sua garra e competência. E, mais, o imenso desejo de mudar, de fazer a diferença, de atuar como cidadão, em prol de um mundo melhor, livre de preconceitos e da intolerância. Ele é um profissional capaz de incentivar posturas de mudança, responsável por ações práticas de reflexão sobre a realidade do surdo em nosso país. Um profissional que rompeu as barreiras do silêncio, demonstrando que a principal deficiência é a ignorância. Um grande mestre, com quem temos muito a aprender!"

Edeilce Buzar

Doutora da Educação

"Tenho grandes amigos na história da minha vida. Mas, uma das amizades mais impactantes tem sido a que venho construindo com os surdos. Em São Luís tive e tenho grandes amigos surdos, a exemplo de Telasco. Quando vim para Brasília, um dos grandes medos era perder as amizades de São Luís e não encontrar nada parecido aqui. Graças ao meu bom Deus, isso não se concretizou. Os primeiros surdos que conheci em Brasília foram Messias e Amarildo. Meus grandes amigos até hoje. Desde o dia em que nos conhecemos até o presente momento, essa amizade só se fortalece. Ela passou por todas as etapas que uma verdadeira amizade cumpre. Conhecemos-nos profissionalmente e por causa desse objetivo, passamos a nos encontrar e nos reunir. Porém, pouco a pouco fomos sentindo uma vontade cada vez maior de estarmos juntos, para estudar, planejar e debater. Quando percebemos, queríamos estar junto mais vezes, agora por motivos pessoais. A cultura surda sempre entremeou nossa amizade e a possibilidade de nos relacionarmos com pessoas de culturas diferentes, nos desafiou em alguns momentos, mas nos enriqueceu em muitos outros. Em algumas horas rimos, noutras emocionamos, algumas choramos, mas, nunca rompemos. A partir do conhecimento da história de vida de meus amigos e da cultura surda, fui me relacionando com a diferença de uma maneira positiva. Como toda amizade, já tivemos nossos conflitos, mas foram mínimos, diante da grandeza dos momentos de alegria, superação, apoio, amizade e verdadeiro amor fraterno. Nossas máscaras iniciais começaram a cair aproximadamente seis meses depois do início da relação. Nossos segredos ruíram, nos apoiamos mutuamente em diversas situações emocionais, linguísticas, educacionais, intelectuais e culturais. Cresci muito com esta amizade. Ampliei muito o conhecimento que já trazia sobre pessoas surdas, fora do foco profissional. Sobre a sua lealdade, confiança, seriedade, conflitos e o que entendem por amizade. Messias é um grande amigo. Um líder nato da comunidade surda brasileira. Seu poder de superação, inteligência e defensor da causa surda é praticamente inigualável. Já percorremos juntos várias trilhas emocionais e intelectuais, com alguns obstáculos, mas nada que pudesse parar essa admiração, respeito e amor fraternal que nos une. Amo você demais! E a minha família sem você em Brasília, estaria incompleta. Beijos. Edeilce, Buzar e José."

Keka Gutierrez

Mestre da Educação

"Conheci o Messias, por volta de 1996 na Escola Normal de Ceilândia. Fui à Escola Normal para conhecer o aluno surdo que seria atendido na sala de recursos de minha escola, o CEF 07. Eu e a minha colega, Profa. Dulcinéia, vimos o Messias dentre os alunos ouvintes. Ele era o único surdo. Naquela época, por acreditar que surdo deveria estudar com surdos em salas separadas, nós do CEF 07 iniciamos o projeto de salas para surdos, em unidades especiais e por isso ficamos tristes de ver o Messias sozinho naquela sala. Conversamos com ele sobre o Projeto Surdo Educador, da Escola Normal de Taguatinga, que seria o melhor caminho para ele. O projeto era direcionado para surdo. Para nossa alegria, o Messias pediu transferência para Taguatinga e seguiu sua formação de forma exitosa. O Messias é um exemplo para mim e para todos os surdos por sua coragem de mudar de uma situação difícil e seguir por um caminho melhor. Acompanhei o progresso do Messias, como aluno da ENT, como professor da SEEDF e como aluno do Mestrado em Linguística /UnB e fiquei impressionada com a dissertação de mestrado dele. Essas conquistas do Messias são mérito dele por aproveitar todos os recursos que foram oferecidos e transformá-los em aprendizagem.Keka Gutierrez."

Emiliano Aquino

Fonte: Facebook

Brasília-DF, 29 de maio de 2014

 

               

Patrícia Luiza Ferreira Rezende, Nelson Pimenta e Messias Ramos fundaram, em 2011, o Movimento em Defesa da Educação e da Cultura Surda. O MEC queria cometer a infâmia de transformar o INES em mero AEE, seus alunos sendo transferidos para o Pedro II. Foi um momento de muita angústia dos surdos, de seus pais e professores. Se eles conseguissem isso com o INES, nenhuma escola de surdos sobreviveria no país. Fomos, aos milhares, à Brasília. Vencemos! Primeira batalha, difícil, pois contra nós se juntaram um sem-número de interesses. Vencemos! O INES foi mantido e de lá pra cá fortalecido com concursos para professores e funcionários, com aumento de verbas, com abertura de cursos de nível superior. Vencemos!

Mas havia ainda outra batalha: a luta por escolas bilíngues para surdos no PNE. Batalha mais difícil, muito mais difícil. Foi aí que a companheira Patrícia se construiu na militante, na liderança, na condutora de um amplo movimento. Viajou o país inteiro, indo aos Estados discutir e mobilizar as comunidades surdas. Foi ao Congresso nacional outras tantas vezes. Aos poucos, juntou em torno de si um grupo de colaboradores na Diretoria de Políticas Educacionais da Feneis, que lhe ajudou na formulação de emendas etc. Agora, exatos 3 anos depois, outra vitória. Vencemos!

Obrigado, companheir@s! Parabéns, Povo Surdo! Parabéns, Patrícia! Sua persistência em todo esse processo foi fundamental para chegarmos até aqui. Agora te resta uma terceira etapa: a da garantia que as escolas bilíngues saiam da lei e vá para realidade. Garantir a regulamentação dessa importante vitória. Garantir que suas diretrizes sejam de fato bilíngues.

Sinto muito, amiga, eu tenho uma boa notícia a te dar: tua participação nesse processo ainda não acabou!

Sandra Patrícia de Faria do Nascimento

Doutora da Linguística

A alegria é dupla quando um nascimento ocorre numa família no dia de Natal. As bênçãos celestes associadas à energia que emana dos festejos que reverenciam a chegada do Menino-Deus espalham-se por todos os recém-nascidos. E foi nesse contexto que nasceu Messias Ramos Costa.
Tempo depois vem o susto da descoberta da surdez pelos familiares, uma notícia que não chega a muitos lares de forma tranquila, mas que se acomoda com o tempo, com distintas reações familiares. Na família do Messias, a acomodação deu-se pelo acolhimento e pela superproteção de sua mãe querida, no instinto de defendê-lo das intempéries do mundo.
À medida que crescia, Messias começava a esbarrar no inacessível e excludente mundo que nos cerca. Sem saber o que fazer, mas cientes da necessidade de garantir o direito inalienável à educação, Messias teve o apoio de sua família no ingresso à escola.
Tendo cursado todo o Ensino Fundamental numa mesma instituição, Messias foi acolhido com carinho e atenção, até demasiada, sem nenhum impedimento para sua ascenção educacional. Durante um certo período, Messias contava com o acompanhamento do Ceal, instituição oralista de surdos, parceira da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Messias rejeitou essa forma de interação com o mundo, rejeitou os aparelhos auditivos e preferiu isolar-se.
Numa época em que não se tinha a visão que se tem hoje sobre a inclusão, e muito menos o conhecimento do potencial que os surdos têm para interagir com o mundo, sempre que o mundo lhes é inacessível, seus professores e a instituição foram imprescindíveis ao que estava por vir, embora não se possa deixar de mencionar que a falta de informações sobre a surdez e sobre a educação de surdos nem sempre leva ao melhor processo educacional.
Embora sem o efetivo conhecimento acadêmico e sem a mais adequada interação com o mundo, nessa escola, Messias cresceu desbravando o mundo pela visão e criando uma linguagem própria, um jeito particular de interpretar os acontecimentos à sua volta e de interagir com tudo que o cercava, passando por infindas frustrações quando suas hipóteses e expectativas não lhes eram correspondidas.
Ao concluir o Ensino Fundamental, a única alternativa era mudar de escola. A  instituição que oferecia Ensino de Médio mais perto de sua casa era uma escola pública de formação de magistério. E foi nessa instituição, a Escola Normal de Ceilândia, que o Messias foi matriculado. Tão logo iniciaram as aulas, os profissionais, preocupados com a oferta educacional mais adequada para o aluno surdo que acabara de matricular-se no magistério, contactou a coordenadora da área da surdez responsável por aquela escola, a fim de comunicar o fato e de solicitar orientação. Essa coordenadora, muito respeitável, tinha conhecimento de que a Escola Normal de Taguatinga desenvolvia um Programa de formação de professores surdos, desde 1994, conhecido como Programa Surdo Educador, e, em contato com a coordenadora da área, em Taguatinga, agendou uma visita da mãe e do Messias com a equipe da escola.
Até aqui, esse relato foi fruto do que, imensas vezes, tive a oportunidade de ver o Messias descrever, quando o mundo ofereceu-lhe a oportunidade de conhecer a língua com a qual recordaria e contaria toda a angústia que passou enquanto preso à linguagem interior que criara para si, totalmente desconhecida pelo mundo que o cercava. E foi então, nessa visita, meu primeiro contato com o Messias.  Aos 21 anos, bateu  à sua porta uma nova oportunidade e ele não a deixou escapar. Apesar da distância que seria estudar tão longe de casa e apesar de sua mãe, com problemas cardíacos, não gostar muito da proposta, lá se foi o Messias, dando um passo significativo, que veio mudar toda sua história.
Quando tudo conspirava contra uma vida autônoma, Messias conseguiu dar uma reviravolta em sua vida ao aceitar esse novo desafio. Os três primeiros meses foram verdadeiramente sofridos. Muita informação, muita novidade para seus olhos que já haviam construído um jeito especial de interagir e de interpretar o mundo, sem aproveitar nenhum resíduo da audição. As novas informações visuais oriundas da língua de sinais habilmente falada por seus colegas tinham significados que ele desconhecia e precisava absorver com precisão e maestria.
O que dizer de tudo isso? Quando o mundo lhe dizia, NÃO! Ele deu a volta e disse POR QUE NÃO? A partir daí foi um desafio após o outro, ao lado de uma vitória após a outra. Vencida a etapa de aquisição tardia da língua de sinais, em sua formação para o magistério participou de projetos específicos que foram-lhe abrindo novos horizontes. Além do estágio, a possibilidade de participar do Programa Copisurdos, premiado pelo Instituto Ayrton Senna rendeu-lhe muitos novos caminhos, muitas novas amizades, muitas novas oportunidades.
Após sua formatura, o contrato temporário como professor na Secretaria de Educação do Distrito Federal levou-o à coordenação da equipe de professores de Brazlândia, bem como à participação no Projeto Tom do Pantanal. Sucedeu a tudo isso, a graduação em Pedagogia na Faculdade Jesus Maria José - FAJESU, a pós-graduação em Brazlândia, nova graduação na UFSC, pelo polo da UnB, a Licenciatura em Letras-Libras. Nesse período, o contrato temporário para professor de Libras na Universidade de Brasília e em uma série de outras instituições do DF, o ingresso no mestrado, a formatura do Letras-Libras, a aprovação no concurso de professor de Libras na Universidade de Brasília, a conclusão do Mestrado, a liderança da Feneis, a luta pelas Escolas Bilíngues no Brasil e, em especial, no DF e, recentemente, o ingresso no Doutorado. Todas essas foram ações subsequentes muito intensas que levaram Messias a mostrar para que veio ao mundo. As bênçãos daquele Natal cobrem-no até hoje.
Momentos difíceis, foram muitos! Vontade de abandonar tudo, várias vezes.... a responsabilidade de ser modelo para os outros surdos e de abrir as portas para os que o sucederem, libertaram seu instinto de liderança. As muitas dificuldades de comunicação durante toda a vida, os muitos momentos de desespero, os infindos instantes de stress, foram sempre resultados da busca de superação dos obstáculos que o mundo continuava lhe impondo. Para Messias, esses obstáculos são menores que a sua vontade interior.
Sou feliz por ter feito parte dessa história, que ensina aos surdos, com sua história, que têm de lutar por seus ideais e se superar; ensina também aos não-surdos que desistem muito facilmente diante de obstáculos tão pequenos que TODOS enfrentam,  todos os dias. Por tudo isso, o Messias é um exemplo de superação, um modelo para todo ser humano se espelhar e para se SUPERAR, dia após dia.

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Em breve...

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