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História

No limite da vida. Quando aprendeu LIBRAS?

20.01.2016

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Messias Ramos Costa

Aos seis anos não costumava brincar com os amigos. Meus pais me levaram ao Centro Educacional de Audição e Linguagem (CEAL) e comecei a estudar em uma sala que tinha muitos surdos. No entanto, no CEAL a abordagem era oralista e não podíamos usar a LIBRAS. Conversávamos em sinais apenas nas brincadeiras no parque, durante a natação e em outros locais. Precisávamos ler os lábios dos professores. Tive muita dificuldade. Quando eu já tinha 12 anos, eu e outras crianças ficávamos escondidas para ver os surdos adultos conversando em LIBRAS. Isto era feito em absoluto segredo, porque se alguém descobrisse poderiam até bater em nossas mãos, pois onde estávamos não era permitida a Língua de Sinais. Mas, eu e outros amigos íamos curiosamente desenvolvendo esta Língua. Já na 5ª Série comecei a estudar em Brasília, na Escola Classe 711 norte. Achei muito difícil, não aprendia quase nada, pois era só oralismo. Continuava tendo reforço no CEAL, mas ainda não tínhamos intérpretes. O resultado foi que apesar de estudar o meu desempenho foi péssimo, só notas vermelhas no boletim. Quando minha mãe viu o boletim ela quis saber o quê aconteceu. Eu disse as professoras não ensinavam para os surdos. Disse que queria mudar de escola, ela disse que podia, mas eu precisava deixar também o CEAL. Acredito que tudo isso aconteceu porque ainda não podia usar LIBRAS. Preocupo muito com o desenvolvimento das crianças surdas, que aprendem pouco porque têm dificuldades no português. O meu sonho é que os surdos sejam bilíngues, tendo como primeira Língua a LIBRAS e o português como segunda. Eu por exemplo, fui prejudicado porque tive que aprender primeiro o português. Aprendi poucas palavras e prefiro utilizar a Língua Brasileira de Sinais.

Obs.:A organização encarregada de redigir a história de vida garantirá que o texto e as fotografias sejam breves. 

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